Quando ainda estava no colégio não compreendia muito bem o que aqueles poemas todos que aprendíamos na matéria de literatura diziam. Talvez pela falta de interesse, talvez por falta de competência da professora. Nessa época nunca me apaixonei por nenhum poeta, daqueles que te fazem suspirar com seus poemas.
Durante muito tempo acreditei que a poesia
era para as aulas de literatura ou para grandes estudiosos. Felizmente depois
de algum tempo, tive a oportunidade de conhecer os poemas de Mario Quintana. E
me descobri uma apaixonada sem medidas. Em cada palavra dita por ele, podia
enxergar uma parte de algo que acontecia em minha vida.
Dentro de cada poema uma nova descoberta
para o aumento de uma paixão. Entre passarinhos e ventos Quintana sempre me
mostrou caminhos da vida, amores perdidos, sonhos realizados. Teve uma infância
difícil, foi um menino azul por traz das vidraças.
Saber que a dele foi assim, deu-me mais
alegrias de quanto divina a minha foi, sempre brinquei com minhas amigas,
montei sonhos com minhas Barbies e sempre interagi com pessoas. Quintana não,
durante muito tempo seus únicos amigos foram cadernos e lápis, onde criou obras
primas da literatura, soube genialmente passar por seus problemas e
aproveita-los para produzir.
Já na adolescência remédios foram suas
maiores inspirações, pois durante muito tempo trabalhou na farmácia do seu pai.
Um gaúcho com gostos parecidos com os meus, adorador de quindim e café, assim
como eu. Sempre com seu jeito excêntrico de ser.
Meu maior lamento, não ter me apaixonado
por ele enquanto ainda era vivo, pois assim poderia ter o conhecido e
provavelmente teria ficado sem palavras diante da genialidade de um poeta que
não foi aceito na Academia Brasileira de Letras, mas se consagrou muito mais
grandemente que muitos que lá tiveram. Afinal, eles passarão.

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