A realidade que assusta


Os últimos e atuais acontecimentos de uma pequena cidade do interior, a qual sou moradora desde sempre, Santa Maria – RS, tem assustado e feito todos aqueles que escolheram essa como sua cidade para viver, se perguntar, questionar, e assustar-se com tudo isso.
        Em duas semanas seguidas, no calçadão de minha cidade, para quem nunca veio aqui, explico, calçadão, é o CENTRO da cidade, onde a maioria das lojas existe, onde existem prédios nas galerias, onde os jovens se reúnem sempre que aparece aquele calorzinho (calorzinho? Desculpe-me, calorão), tradicional de verão, para tomar mate.
        Onde famílias passeiam com seus filhos, cachorros, onde namorados andam de mãos dadas a observar as vitrines. Onde existe um dos shoppings da nossa cidade. Isso tudo, todos aqueles que são moradores da cidade, sabem.
        O que não sabíamos, é que esse local havia se tornado um campo de guerra. Exatamente, meus caros, esse é o melhor termo para definir o que nosso calçadão virou, um campo de guerra. Em menos de duas semanas, um bando de jovens, se é que possamos chamar isso de ‘pessoas’, espancaram um outro jovem, a causa não foi definida ainda.
        E o outro caso foi do Ângelo, e tenho a propriedade para chamar ele pelo primeiro nome, porque conheci ele, conversei com ele, visitei ele no apartamento dele, os motivos de nossa amizade rápida não importam aqui, o que importa é que a vida dele, foi tirada nesse campo de guerra em 15 segundos, sim senhores, 15 segundos foram suficientes para acabar com o sonho de vida de um jovem de 23 anos, esfaqueado no calçadão, a causa, o que estão comentando, um boné, em que o assaltante insistiu para que Ângelo passasse o tal.
        É estamos profundamente acostumados a ver fatos de violência, o que em alguns momentos se torna, ridiculamente “normal”, o que pensamos e tentemos entender, é simples e talvez nunca tenha resposta: será que a vida vale tão pouco assim? Onde que ficou o respeito pela vida do próximo? E mais algumas mil perguntas depois do ocorrido.
        O que posso afirmar, é que eu ainda tenho esperanças dentro do meu coração, traduzindo uma música que muitos conhecem é: “ posso ser um sonhador, mas sei que não estou sozinho.” Espero que essa minha esperança, de PAZ, possa entrar na cabecinha de muitas outras pessoas, e que eu ainda possa VER e SENTIR A PAZ.
        Esperança, espero, que seja, nesses casos a ÚLTIMA A MORRER.

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