Aquelas janelas

Existe certa fase em que janelas são nossos olhos, e que fazem história. Meu período de colégio lembro-me  de olhar para fora, e pensar o quanto o mundo poderia ser diferente nas horas em que eu não estivesse lá dentro da sala de aula. O que aconteceria se um dia eu fosse grande, e o que eu queria ser quando crescesse.
            As visões que eu tinha iam variando com o passar dos anos, porque as salas iam mudando, estudei a vida inteira no mesmo colégio, e acredito que isso tenha feito toda a diferença de quem eu sou hoje, e nos objetivos da minha vida.
            Nessa escola que estudei, pelo menos na época que estive lá dentro, porque sei que hoje a filosofia mudou muito, mudou a diretoria. Era ensinar os pequenos a serem grandes. Mas no sentido de vida, de sentimentos, de ideologias.
            Ensinavam sim a serem, adultos independentes, a terem um emprego, porque aqueles que tinham o mínimo de sensibilidade entenderam muito bem o recado. Mostraram o verdadeiro valor das pessoas, e da palavra amor. E abriram um leque de sentimentos dentro do coração e da vida de cada um que passou por aquela escola.
            Quando em algum momento, no meio desses ensinamentos, eu olhei para janela, vi prédios, cores, árvores, e meus pensamentos desde nova, estavam ali presente. Hoje, da janela que observo, posso ver as antigas, o colégio. E sei que os pensamentos mudaram de uma forma desigual. Sei o que quero ser, porque já cresci. Sei o que é ser adulto. E me da uma grande vontade de voltar ali pra sala de aula, e ficar só pensando como é ser, e o que fazer.
            Os objetivos estão presentes, e os caminhos a seguir estão logo ali, na esquina. Logo ali tão próximo que me sinto afogada em todos eles, e sem ter como voltar. Agora, é a fase aquela, que todo mundo um dia vai passar, só não sabemos que é tão rápido que acontece. Os sentimentos de criança foram embora, mas um deles ainda persegue que é o medo.
            Medo do que vem depois de tudo isso, medo de ser assim, tão adulta. Medo de que  agora, eu tenho que resolver, fazer, agir. Tenho graças a Deus, meus pais e meus avós ainda por perto, mas de alguma maneira, a distância entre nós começa a ficar mais clara, e a aproximação comigo mesma mais obvia.
            Aceitar, e seguir são as soluções. E as janelas da vida, sempre farão presença.

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